Graças ao trabalho de inúmeros indivíduos fiéis ao longo de muitos séculos nós podemos ler a Bíblia hoje. Estes indivíduos são tecnicamente chamados de escribas. Estes homens copiaram, à mão, a Palavra de Deus, tomando grande cuidado para manter a exatidão daquilo que copiavam.
A. O cuidado dos escribas com os textos do Antigo Testamento.
- Os escribas no mundo antigo. Os escribas tiveram um papel essencial no mundo antigo. A transmissão fiel de informações precisas era um dos aspectos mais importante das sociedades da Antiguidade. Os reis contavam com os escribas para registrar os editos reais. Oficiais administrativos precisavam dos escribas para registrar transações importantes. Os erros podiam ter implicações políticas, econômicas ou de outra natureza de grande seriedade.
Os escribas da antiguidade, que copiavam os textos bíblicos criam que estavam copiando as palavras do próprio Deus. Consequentemente, tomavam grande cuidado no intuito de preservar as cópias que haviam recebido. Um dos mais importantes grupos de escribas foi o dos Massoretas.
2. Os Massoretas
Os Massoretas — 500—1000 d.C — trabalharam para preservar os textos do Antigo Testamento que haviam recebido. Eles queriam assegurar um entendimento correto dos textos, bem como sua transmissão com fidelidade, para as gerações futuras. Eles foram chamados de Massoretas por causa da trosm – massora – tradição textual, desenvolvida por estes homens, e que era um complexo sistema de símbolos que eles haviam desenvolvido para ajudá-los a alcançar seus objetivos. Os Massoretas seguiram três passos para garantir a precisão textual:
a. Primeiro desenvolveram um sistema para escrever as vogais, já que as línguas hebraica e aramaica são línguas consonantais, isto é, não possuem vogais e todas as letras de seus alfabetos são consoantes. Mesmo sendo línguas consonantais, no entanto, tanto o hebraico como o aramaico possuíam certas consoantes que soavam como vogais. O que os Massoretas fizeram foi desenvolver um sistema complexo de vogais – “a, e, i, o, u” e vogais com sons mais abertos ou mais fechados – visando preservar, na escrita, as tradições orais que haviam recebido das gerações anteriores.
b. Em segundo lugar, os Massoretas desenvolveram um sistema de acentuação para o texto hebraico. Estes acentos ajudavam o leitor a pronunciar o texto corretamente, mas, além disso, mostravam a relação entre várias palavras e frases de uma mesma sentença. Dessa maneira eles ajudaram a esclarecer diversas passagens difíceis.
c. Em terceiro lugar, os Massoretas desenvolveram um sistema de anotações detalhadas do texto. Estas anotações ofereciam um meio pelo qual era possível verificar a precisão do texto copiado. Nos dias de hoje podemos produzir cópias de documentos idênticas usando em computador ou uma máquina copiadora. Os Massoretas tinham que fazer tudo à mão.
A palavra hebraica usada para “escriba” significa literalmente “contador” e isto porque os escribas contavam, absolutamente tudo, no texto. Eles sabiam, por exemplo, que a תּוֹרָה – torah – instrução ou os primeiros cinco livros do Antigo Testamento – continha 400.945 palavras! Eles também nos informam que o versículo de Levítico 8:8 representa o exato meio da תּוֹרָה – torah – instrução. Eles sabiam que a palavra que ficava exatamente no meio da תּוֹרָה – torah – instrução era a palavra “buscou” em Levítico 10:16. Sabiam também que a letra que ficava exatamente no meio da תּוֹרָה– torah – instrução era uma das letras da palavra traduzida por “ventre” em Levítico 11:42. Estas informações podem parecer apenas curiosas, mas para os Massoretas essas eram informações vitais para a preservação cuidadosa da Palavra de Deus. Devemos ser gratos a Deus pela dedicação destes homens, que através dos séculos se empenharam para preservar incorrupta a Palavra de Deus.
B. A transmissão nas línguas Originais – Hebraico e Aramaico.
A maior parte do texto do Antigo Testamento foi escrita originalmente em hebraico. Pequenas porções que podem ser encontradas em Gênesis 31:47b; Esdras 4:8 — 6:18; 7:12—16; Jeremias 10:11b e Daniel 2:4b—7:28, foram escritas em aramaico. Tanto o hebraico quanto o aramaico são línguas semíticas que pertencem à mesma família do acádio — que era a língua falada pelos Sírios, Assírios e pelos Babilônios — do amorita, do fenício, do ugarítico,do amonita, do moabita e do árabe. Várias cópias em hebraico, do Antigo Testamento, chegaram até nossos dias. Três destas cópias são de maior importância para os nossos estudos. Esses são: O Texto Massorético, o Pentateuco Samaritano, e os Manuscritos do Mar Morto.
1. O texto Massorético.
A expressão “Texto Massorético” – TM – refere-se a um grupo de manuscritos hebraicos do Antigo Testamento, datados desde os primeiros séculos da Idade Média, e que são todos concordes entre si. Estes manuscritos possuem um padrão elevado de uniformidade textual, devido ao trabalho coerente e meticuloso dos escribas judeus do período medieval, conhecidos como Massoretas, que adotaram um rígido sistema para preservar, o texto da Bíblia Hebraica, sem corrupções e sem alterações significativas.
Hoje em dia, todas as edições impressas da Bíblia Hebraica, bem como todas as traduções modernas – incluindo-se ai a nossa versão de Almeida Revista e Atualizada – ARA – são baseadas no TM. A estrutura consonantal do TM remonta ao período do Segundo Templo — c. 450 a.C. a 70 d.C. Após a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém, os judeus se reuniram na cidade de Jâmnia para resolver a situação canônica de certos livros do Antigo Testamento que ainda tinham sua autoridade disputada. Deste concílio surgiu um texto que foi recebido pelos judeus como oficial. Este concílio, em Jâmnia, aconteceu perto do final do primeiro século e, desde 100 d.C., todas as comunidade judaicas adotaram-no como a forma textual definitiva e oficial das Escrituras Sagradas para os judeus. O texto bíblico do Antigo Testamento, tanto de judeus quanto de cristãos, baseia-se no TM estabelecido há muitos séculos pelos escribas na época antiga e, mais tarde, pelos Massoretas, durante o período medieval.
O texto atual da Bíblia Hebraica passou por um processo de definição textual desde os primeiros séculos do período medieval, quando os Massoretas procuravam padronizar, uniformizar e transmitir, para as futuras gerações de escribas, um texto que fosse correto e livre de corrupções textuais. Os manuscritos do TM conhecidos hoje em dia apresentam um número reduzido de variantes e que são, em sua totalidade, insignificantes. O texto bíblico preparado pela atividade massorética, e que é a base de todas as edições modernas da Bíblia, é exatamente o mesmo há mais de 1000 anos, desde que os primeiros Massoretas surgiram por volta do século VII.
O tipo textual do TM possui muitas testemunhas antigas que atestam sua antiguidade e seu uso pelos judeus e pelos primeiros cristãos. Essas testemunhas incluem: os targumim — comentários acerca de passagens bíblicas; a Peshita — tradução das Escrituras para o Siríaco antigo ou Aramaico; as traduções gregas de Áquila, de Símaco e de Teodocião; as recensões1 da LXX2 feitas por Luciano e por Orígenes; a Vulgata Latina e os vários manuscritos encontrados no deserto da Judéia, e que são conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, descobertos a partir de 1947 em Khirbet ou ruínas de Qumran, Wadi Murabba’at, Nahal Hever e Massada. A tudo isto, nós devemos somar as milhares de citações rabínicas antigas e medievais, que também refletem o texto do TM. A partir de 1450 d. C. com o surgimento da imprensa inventada por Johannes Gutenberg3, o TM vem sendo impresso de forma contínua, por editores tanto cristãos como por judeus. Todas as primeiras edições críticas da Bíblia Hebraica — edições que discutem leituras variantes em um mesmo texto — surgidas desde o século XVIII, assim como as edições de Benjamin Kennicott (1776—1780) de Giovanni Bernardo Rossi (1784—1788), e a de Christian David Ginsburg (1908—1926), baseiam-se na forma textual estabelecida e transmitida pelos escribas e Massoretas.
Além das edições mencionadas acima, atualmente, existem outras cinco versões, que seguem determinados manuscritos massoréticos pertencentes ao período do auge da atividade massorética. Entre estas podemos citar:
Bíblia Hebraica Kittel – símbolo = BHK.
Bíblia Hebraica Stuttgartensia – símbolo = BHS.
Bíblia Hebraica Leningradensia – símbolo = BHL.
Bíblia Hebraica Quinta – símbolo BHQ. Esta versão está sendo editada atualmente pelas Sociedades Bíblicas Unidas e está prevista, para ser publicada completa, em 2020. Enquanto a mesma vem sendo publicada em fascículos. Esta versão deverá suceder a Bíblia Hebraica Stuttgartensia – BHS. Bíblia Hebraica do Hebrew University Bible Project – símbolo = HUBP4.
As três primeiras Bíblias Hebraicas mencionadas acima, estão todas baseadas no Códice5 de Leningrado, chamado: B 19a (L). E a última, da lista acima, está baseada no Códice de Aleppo chamado de Códice A. O Códice de Leningrado B 19a – designado pela letra L – foi produzido em 1008 d.C. Estudiosos acreditam que o mesmo tenha sido copiado de um manuscrito produzido por Aaron ben Moseh ben Asher. Este manuscrito contém todo o Antigo Testamento.
O Códice de Aleppo – designado pela letra A – foi produzido por volta do ano 940 a.D. Foi originalmente encontrado em Jerusalém e de lá, levado para a cidade do Cairo no Egito. Do Cairo foi levado para Aleppo, no norte da Síria. É desta cidade que o manuscrito toma emprestado seu nome. Maimônides6 costumava referir-se a este código, como o mais fidedigno – digno de fé; merecedor de crédito – de todos os que ele conhecia. Originalmente, o Códice A, continha o Antigo Testamento inteiro em 380 fólios – folhas escritas na frente e no verso – mas uma turba invadiu a sinagoga sefardita7 em 1498, e no processo, mais ou menos um terço do manuscrito foi destruído, restando somente 294 fólios, atualmente. Depois da destruição o manuscrito começa com a última palavra de Deuteronômio 28:17 וּמִשְׁאַרְתֶּךָ – (transliterado como “u’mish’artekha”), que significa “a tua amassadeira”. Este manuscrito encontra-se, atualmente, na Universidade de Jerusalém sob os cuidados do Instituto Ben Zvi.
2. O Texto Protomassorético.
O texto consonantal do TM, anterior à época dos massoretas, é chamado de texto Protomassorético, não contendo ainda a vocalização, a acentuação e o aparato massorético, que foram desenvolvidos somente durante a Idade Média. O texto Protomassorético é um dos tipos textuais da Bíblia Hebraica utilizados pelos judeus, durante o período do Segundo Templo — c. 450 a.C. a 70 d.C., ao lado de outras formas textuais transmitidas naquela mesma época.
O texto Protomassorético, preservado e transmitido pelos escribas judeus na época do Segundo Templo, foi a base e a origem do TM desenvolvido pelos massoretas, na época medieval. Este texto foi, provavelmente, o preferido pelos fariseus e pelos círculos dos escribas do Templo em Jerusalém, que o copiaram constantemente através dos séculos. Alguns estudiosos acreditam que esta forma textual foi a que teve a melhor transmissão e preservação, pelo foto de ter sido copiada meticulosamente seguindo regras estabelecidas pelos próprios escribas.
Os outros tipos textuais hebraicos existentes, ao lado do Protomassorético, eram o tipo que deu origem ao Pentateuco Samaritano e o tipo que deu origem à Septuaginta – designada pela sigla LXX – os quais discordam do texto Protomassorético, em vários detalhes relativos ao texto, à ortografia e à morfologia. Os eruditos costumam argumentar que estes outros tipos textuais são, na verdade, textos vulgarizados, transmitidos sem muitos critérios e sem obedecer a regras estabelecidas e, por isso, eles possuíam alterações como se vê no Pentateuco Samaritano e em certos manuscritos de Qumram. Mas apesar disto, todos eles eram de uso comum entre os judeus e nenhum deles tinha mais autoridade do que o outro no período pré-cristão.
3. O Pentateuco Samaritano.
O Pentateuco Samaritano, como o próprio nome revela, tem sua origem relacionada aos judeus samaritanos, que contém somente os cinco primeiros livros do Antigo Testamento – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Estes judeus surgiram de casamentos mistos entre judeus e estrangeiros trazidos pelo imperador da Assíria, após destruir o reino do norte – reino de Israel em 722 a.C. Esta prática era comum entre os imperadores Assírios, que desterravam parte da população dos territórios ocupados, transportando-as para outras regiões, igualmente ocupadas. Assim, parte da população do reino de Israel, foi desterrada para outras terras, enquanto povos de outras regiões, foram trazidos para Israel. Desta miscigenação entre judeus e estrangeiros surgiu esta raça mista conhecida como samaritanos.
As cópias manuscritas mais antigas do Pentateuco Samaritano são aproximadamente do ano 1100 a.D. Os estudiosos acreditam que estes manuscritos refletem, de maneira apropriada, textos antigos, produzidos originalmente entre 200 e 100 a.C.
Os judeus de Jerusalém viam os samaritanos como mestiços, raça não pura, e que faziam inúmeras concessões culturais, entre as quais, a mais grave, era a de se casarem com estrangeiros. Os samaritanos, por sua vez, consideravam que preservavam uma forma mais antiga e mais pura da fé do que os judeus que haviam retornado da Babilônia. Aqui, cabe lembrar, as palavras da mulher samaritana a Jesus quando disse: “Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar – João 4:20”. Em suas palavras podermos notar que havia diferenças teológicas entre judeus e samaritanos. O Pentateuco Samaritano possui características que refletem estas diferenças. O texto do Pentateuco Samaritano oferece um testemunho, muito antigo, de como os samaritanos interpretavam o Pentateuco. Os samaritanos como que ajustaram o texto do Pentateuco para refletir suas próprias conveniências e isto, torna esse manuscrito uma testemunha mais fraca.
O Pentateuco Samaritano era desconhecido pelo mundo ocidental até 1616, quando foi descoberto por Pietro della Valle, em Damasco, na Síria. Após a descoberta do texto, o Pentateuco Samaritano foi incluído na Poliglota Parisiense produzida entre 1629 e 1645, bem como na Poliglota Londrina produzida entre 1654 e 1657.
Em 1815, Wilhelm Gesenius considerou o texto impróprio para a crítica textual do Pentateuco, por conter alterações deliberadas feitas pelos Samaritanos. Outros estudiosos, entre os quais podemos citar Abraham Geiger e Paul E. Kahle, vieram a considerar o Pentateuco Samaritano como um testemunho de grande valor para a crítica bíblica. Começando no final do século XIX e, estendendo-se por todo século XX, os estudos acerca do Pentateuco Samaritano, esclareceram sua natureza, o seu tipo textual e a sua relação com o TM – Texto Massorético. Estes estudos constataram cerca de 6.000 variantes com relação ao texto do TM e cerca de 1900 leituras concordantes com a LXX – Septuaginta. A maioria das variantes é de ordem ortográfica – grafia correta e pontuação, linguística – língua e gramática, fonológica — sistemas sonoros da língua — e de vocabulário — conjunto de palavras. As diferenças que mais chamaram a atenção dos estudiosos, todavia, foram as de cunho ideológico, que foram inseridas no texto em defesa de pontos de vista dos próprios Samaritanos. Entre estas diferenças podemos citar:
· Diferenças relacionadas às cronologias do período patriarcal no livro de Gênesis e da importância de Siquém quanto ao status religioso, quando comparada com Jerusalém – ver Gênesis 12:6 e 33:18 a 34:2. Os samaritanos achavam que a cidade de Siquém já existia nos dias de Abrão (c. 2100 a.C.) conforme Gênesis 12:6. Isto era importante para eles porque a cidade de Siquém ficava bem no centro da terra de Canaã onde estava localizado o centro do reino de Israel — após a divisão entre os reinos de Judá e Israel — com sua capital em Samaria. Mas na realidade esta cidade de Siquém foi assim chamada por causa do filho de um príncipe heveu homônimo, que existiu nos dias de Jacó — pelo menos 200 anos depois de Abrão ter passado por lá. Então o que aconteceu? Nós precisamos entender que quem escreveu o livro de Gênesis foi Moisés por volta do ano 1440—1400 a. C. Portanto, quando Moisés escreveu o livro de Gênesis aquela localidade já se chamava Siquém. Assim sendo, quando Moisés a chama de Siquém nos dias de Abrão, ele o faz em sentido de antecipação e não querendo indicar que aquela localidade já era conhecida por Siquém nos dias de Abrão.
· Diferenças com relação a mandamentos adicionais ordenando a construção de um templo no monte Gerizim como, por exemplo, em Deuteronômio 11:29. Na grafia Samaritana a expressão monte Gerizim aparece como uma palavra הַרגְּרִזִים – hargerizim – monte gerizim, enquanto que em hebraico a grafia é הַר גְּרִזִים – har gerezim – monte gerezim.
De acordo com os estudos paleográficos, textuais, históricos e, principalmente, dos Manuscritos de Qumram, o tipo textual do Pentateuco Samaritano pertence ao período do Segundo Templo e não é anterior ao século II a.C. Este dado coloca o surgimento do Pentateuco Samaritano, solidamente, no período da história de Israel, conhecido como época dos Hasmoneus.
4. Os Manuscritos do Mar Morto.
Um jovem pastor beduíno, da tribo de Taamireh, chamado Muhammad adh-Dhib, descobriu os primeiros manuscritos em uma caverna, na região do Mar Morto em 1947. Nesta, que foi a primeira descoberta de manuscritos naquela região, foram encontrados dois rolos do profeta Isaías – como o que é mencionado em Lucas 4:16—17 — um completo e outro fragmentado. Além destes foram encontrados ainda na caverna 1 de Qumram, dois importantes manuscritos grafados pela própria comunidade, conhecidos como Gênesis Apokryphon — 1 Q Gen Apo — e o Rolo da Guerra – Milhamâ – 1 Q M. Após essa descoberta, arqueólogos e historiadores[1] exploraram toda aquela região, incluindo as localidades de Hirbet Qumran, Wadi Murabba’at, Nahal Hever, Massada, Hirbet Feshkha, Hirbet Mid e Ein Guedi Estas explorações mostraram-se muito produtivas, pois através delas, foram encontrados inúmeros manuscritos grafados em papiros. Estes manuscritos estavam grafados em hebraico, aramaico e também em grego. Todos estes documentos estavam escritos em papiros, e foram produzidos entre os anos 200 a 100 a.C., e nos mesmos, nós podemos encontrar manuscritos de todos os livros do Antigo Testamento, com exceção, do livro de Ester. Os manuscritos oferecem também, muitas informações acerca da comunidade de Qumram e discutem as práticas religiosas e as atividades diárias daquela comunidade. Todos estes manuscritos revelam vários tipos textuais da Bíblia Hebraica existentes no período do Segundo Templo. Neles estão representados o texto hebraico que deu origem à LXX, o tipo textual hebraico do Pentateuco Samaritano, assim como o tipo textual do Texto Massorético. Segundo a estimativa de alguns estudiosos, o total de manuscritos encontrados gira em torno de 823, enquanto outros fornecem o número de 668 manuscritos. O total de textos bíblicos achados em Qumram é de aproximadamente 190.
Além dos textos bíblicos, foram encontrados livros apócrifos/deuterocanônicos8 – tais como os livros do Eclesiástico e Tobias, pseudoepígrafos9 – tais como o Livro dos Jubileus e o Testamento dos XII Patriarcas – targumim do livro de Jó e de Levítico e um grande número de escritos produzidos pela própria comunidade de Qumram, tais como: o Apócrifo do Gênesis, a Regra da Comunidade, o Rolo do Templo, a Regra da Guerra, o Documento de Damasco, Cânticos de Louvor ou Hodayot, os Pesher de Habacuque e de Naum, e o Rolo de Cobre, entre outros. Além dos livros, alguns objetos sagrados judaicos como tefilim ou filactérios e alguns mezuzot ou objetos fixados nos batentes das portas, também se encontravam no local das descobertas; estes mezuzot, que são usados pelos judeus até os nossos dias, continham pequenos trechos bíblicos – como, por exemplo, Deuteronômio 6:8—9. De todas as cavernas, as que forneceram materiais mais importantes, foram as de número I, IV e IX. Segundo os eruditos, somente na gruta IV, foram encontrados cerca de 580 manuscritos, vários dos quais em estado muito fragmentário. Além de textos bíblicos em hebraico, também foram achados textos em aramaico e manuscritos da LXX em grego nas grutas IV e VII.
Como mencionamos acima, o tipo de texto do TM está representado nos manuscritos de Qumram e esta representação é a mais significativa de todas, pois cerca de 60% de todo o material do Antigo Testamento, encontrado em Qumram, concorda com o TM. Assim temos que o nível de concordância textual destes manuscritos com o TM é muito grande, o que serve para comprovar a antiguidade do tipo textual ao qual pertence o texto preservado pelos escribas e mais tarde pelos massoretas durante a Idade Média. De todos os livros do Antigo Testamento, o Pentateuco apresenta uma maior homogeneidade em sua transmissão textual.
A comunidade de Qumram, ao que parece tinha mais apreço por determinados livros bíblicos, por serem provavelmente mais populares, entre os adeptos do grupo. Estes textos bíblicos são representados por muitas cópias encontradas em Hirbet Qumram como, por exemplo: Gênesis 16 e 17, Êxodo 13, Deuteronômio 25, Isaías 20 a 24 e o Salmo 34. Até hoje há divergências em torno da identidade da comunidade de Qumram. Segundo alguns esse grupo seria identificado com os essênios, um dos vários ramos do judaísmo no período dos 200 anos que antecederam o advento de Cristo, juntamente com os fariseus, os saduceus e os zelotes. A identificação da comunidade de Qumram com os essênios continua em aberto até o presente momento.
5. Os Fragmentos da Guenizá do Cairo.
Um grande lote de manuscritos do Antigo Testamento foi encontrado, “oficialmente”, em 1896, na guenizá da Sinagoga Ben Ezra em Fustat, na parte antiga da cidade do Cairo, no Egito. Esta sinagoga havia sido até o ano 882 d.C. uma antiga igreja cristã, chamada de Igreja de São Miguel. Naquele ano, ela foi vendida para um grupo de Judeus, que a converteram em seu templo religioso. Em todas as sinagogas judaicas existe um espaço especialmente separado para guardar todo o material que não esteja mais em uso pela comunidade. Este material é geralmente composto de cópias dos livros do Antigo Testamento e de livros litúrgicos e outros materiais usados na liturgia. Este cuidado era necessário pela convicção que os Judeus têm de que todo o material que contenha o nome inefável de Deus יהוה – YHVH – o eterno, precisa ser sempre guardado com a maior reverência. Era também costume, de vez em quando, retirar todo o material da guenizá e providenciar que o mesmo fosse cuidadosamente enterrado, visando impedir que o mesmo fosse profanado. No caso específico da guenizá da Sinagoga Ben Ezra no Cairo, os manuscritos que estavam lá, foram esquecidos e uma parede foi construída obstruindo o acesso à guenizá. Talvez alguém tenha pensado em retirá-la de lá antes de a parede ser completamente fechada, talvez foi deixada ali propositadamente protegida de mãos que pudessem profanar os documentos nela contidos. Nunca saberemos o que realmente aconteceu. O fato é que uma quantidade enorme de documentos ficou escondida atrás daquela parede.
Existem informações precisas de que, por volta de 1860, o esconderijo havia sido descoberto e os primeiros fragmentos começaram a ser retirados da guenizá e começaram a circular. Nos dias de hoje, os muitos milhares de manuscritos fragmentários da guenizá da Sinagoga Ben Ezra, estão espalhados por diversas coleções entre as cidades de Oxford, Londres, Nova York, São Petersburgo outras. A coleção mais importante, devido à quantidade de manuscritos e a importância do material contida neles, é a Coleção Taylor-Schechter, pertencente à Biblioteca da Universidade de Cambridge. Os responsáveis por esta coleção foram o próprio Salomão Schechter e o Dr. Charles F. Taylor, diretor do St. John’s College, matemático e hebraísta cristão. Outra grande coleção pode ser encontrada na Biblioteca Bodleian, em Oxford.
Segundo estimativas de estudiosos, a Coleção Taylor-Schechter possui cerca de 140.000 fragmentos de manuscritos, que estão sendo catalogados até ao dia de hoje (Setembro de 2012). O número total do material da guenizá, segundo estimativas, gira em torno de 200.000 fragmentos. O estudioso Emanuel Tov informa que dessa quantidade cerca de 10.000 são fragmentos bíblicos, muitos dos quais não foram ainda publicados. Estes manuscritos apresentam sistemas diversos de notas massoréticas, vocalização e acentuação e também apresentam uma escrita hebraica cuidadosa enquanto que outros fragmentos foram escritos de maneira descuidada.
3. Os Targuns Aramaicos.
O aramaico tornou-se a língua comum em todo o Oriente Médio e Mesopotâmia, como fruto da ascensão do império Babilônico. Os judeus — conquistados no século VI a.C. — bem como todos os outros povos subjugados pelos babilônios e persas, passaram a usar o aramaico como o idioma do dia a dia, do comércio e posteriormente, também do serviço da sinagoga. O aramaico é uma língua pertencente ao ramo semítico norte – ocidental e muito próxima do hebraico, que pertence ao mesmo ramo. No segundo livro do Reis encontramos um curioso incidente que demonstra claramente que o aramaico era usado como idioma diplomático, e que era entendido tanto por judeus como pelos assírios – ver 2 Reis 18:17—26. Com o passar do tempo o aramaico adquiriu uma importância crescente no meio do povo judeu, que passou a utilizá-lo cada vez mais. O aramaico se tornou a língua, por excelência dos judeus, suplantando o hebraico que se viu reduzido à língua sagrada da Bíblia Hebraica, dos serviços religiosos do templo em Jerusalém, dos estudos e das discussões rabínicas e era falado no dia a dia, quase que exclusivamente, na cidade de Jerusalém.
Nos serviços religiosos nas sinagogas o hebraico era utilizado mas existia uma tradução para o aramaico após a leitura hebraica de cada versículo da parasháh — capítulo, porção ou seção do Pentateuco; e, logo após a leitura de cada dois ou três versículos da haftaráh — conclusão feita com a leitura de algum dos profetas. Este trabalho era efetuado por um tradutor profissional chamado de meturgman — que fazia a tradução “ad lib” ou espontaneamente, e sem o uso de nenhum material escrito.
Os targuns são uma coleção de escritos baseados no texto do Antigo Testamento. Estes escritos em aramaico são do início da Era Cristã e algumas partes são até mais antigas. Os targuns surgiram em uma época em que o povo judeu precisava de uma interpretação dos ensinamentos do Antigo Testamento em uma linguagem acessível. Em certas partes os targuns refletem uma tradução relativamente culta do Antigo Testamento. Juntamente com a tradução encontramos comentários e histórias que reforçam o significado do texto. Por este motivo os targuns não são considerados uma testemunha fiel do Antigo Testamento, apesar de nos auxiliarem a compreender as primeiras interpretações judaicas.
5. Hermenêutica: Como devemos interpretar a Bíblia?
Até agora, discutimos o Cânon, a inspiração e a transmissão textual. Examinamos quais livros constituem o Antigo Testamento, como o Espírito de Deus trabalhou em conjunto com autores humanos para produzir o Antigo Testamento e como os livros chegaram até nós.
Mas ainda ficam algumas perguntas importantes: Como devemos interpretar o Antigo Testamento? Será que vamos sempre entender o texto apenas pela leitura? Ou será que devemos seguir certas regras da hermenêutica ou interpretação?
Nem todos os intérpretes bíblicos concordam com o significado de cada passagem da Bíblia. Porém, a maioria admite que a existência de certas diretrizes, nos ajuda a determinar o significado de cada passagem. Daremos uma visão geral de algumas das diretrizes mais importantes.
A. O uso do método gramático-histórico – este método busca encontrar o “sentido mais simples” de uma passagem da Bíblia, aplicando regras básicas de gramática e sintaxe. Ele procura determinar o que o texto quer dizer gramaticalmente e o que significa historicamente.
B. Compreenda o contexto – o termo “contexto” refere-se às palavras e sentenças que estão ao redor de uma palavra ou afirmação e que ajudam a compreender o significado das mesmas. Suponhamos que eu lhe diga: “Eu cortei um pedaço da manga”. Qual é o significado de manga? Será que eu estou falando de uma peça de roupa? Será que eu me refiro a uma fruta? Sem o contexto, é impossível determinar o significado da palavra.
A compreensão do contexto também é importante para uma interpretação correta das passagens da Bíblia. Os estudantes da Bíblia devem analisar três tipos de contexto: o contexto imediato, o contexto remoto e o contexto histórico.
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Contexto imediato – o contexto imediato refere-se às palavras ou frases nos versículos mais próximos à palavra ou afirmação que se deseja compreender. Normalmente, é o que mais influencia no significado. Minha frase ambígua mencionada acima, por exemplo, torna-se clara se eu acrescentar: “Hoje, quando eu estava consertando uma camisa, cortei um pedaço da manga”.
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Contexto remoto – o contexto remoto descreve o material bíblico nos capítulos ao redor e mais distantes. Ele também pode influenciar o significado da passagem em questão, porém, normalmente não de uma forma tão direta quanto o contexto imediato. Algumas vezes, os leitores consultam outros livros da Bíblia escritos pelo mesmo autor, para observar como ele usa uma determinada palavra ou frase em outras partes de seus escritos. Pode-se até mesmo pesquisar uma idéia ao longo de todo o Antigo Testamento ou de toda a Bíblia.
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Contexto histórico – o contexto histórico refere-se ao momento da História em que o autor escreveu determinada passagem da Bíblia. Teremos uma compreensão melhor do livro de Lamentações, por exemplo, se soubermos que o autor estava descrevendo a condição de Jerusalém depois de sua destruição em 587 a.C. Podemos entender melhor o significado de um salmo de Davi, se soubermos a ocasião em que ele foi escrito. Assim, o contexto histórico forma o pano de fundo sobre o qual o autor bíblico compôs seu texto.
C. Determine o tipo de literatura – A bíblia contém vários tipos ou gêneros diferentes de literatura e o intérprete deve aplicar diferentes princípios, em cada caso. Por exemplo: uma narrativa histórica relata uma história; é bem diferente de uma profecia, que chama o povo a confiar em Deus ou descreve os planos futuros de Deus para o mundo. Poesias e parábolas também requerem consideração especial. Quando não é levado em consideração o tipo de literatura, pode-se chegar a uma interpretação distorcida da passagem bíblica.
D. Interprete a linguagem figurativa – Em nossa maneira de falar no dia-a-dia, usamos com frequência a linguagem figurativa. Falamos do sol se levantando, ou de estar morrendo de fome, ou de calçar os sapatos de outra pessoa. Não queremos dizer nenhuma dessas coisas literalmente; na realidade, essas “figuras de linguagem” comunicam certas verdades de uma forma simbólica.
A Bíblia contém muita linguagem figurativa. O profeta Isaias a usou quando escreveu “… e todas as árvores do campo baterão palmas”. Na verdade, o que ele queria dizer era que Deus faria toda a natureza florescer. O salmista em Salmos 1:1, usou esse tipo de linguagem quando escreveu: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios”. Andar no conselho dos ímpios significa ouvir o conselho de pessoas ímpias. Podemos acabar dando interpretações estranhas se não levarmos em consideração o uso da linguagem figurativa na Bíblia.
E. Deixe que as Escrituras interpretem as Escrituras – Algumas vezes, encontramos na Bíblia passagens que continuam sendo difíceis de entender, mesmo depois que aplicamos os princípios da hermenêutica. Talvez a passagem tenha dois sentidos possíveis ou pareça contradizer outra passagem da Bíblia.
Como devemos entender, por exemplo, o texto de Tiago 2:24? O versículo diz: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente”. Mas em Romanos 3:28 diz: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”. Essas duas passagens entram em contradição, ou haveria outra explicação? Em tais casos, devemos deixar que as Escrituras interpretem as Escrituras. Ou seja, devemos encontrar outro texto bíblico que apresente ensinamentos claros sobre o assunto em questão e interpretar a passagem difícil à luz daquela que é a mais clara. Podemos fazer isso, pois a palavra de Deus não se contradiz.
Aplicando esse principio, descobrimos outras passagens bíblicas que ensinam claramente que a salvação é obtida pela graça e somente pela fé – entre estas passagens podemos citar, por exemplo:
Gálatas 3:1—6 – Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne? Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes? Se, na verdade, foram em vão. Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.
Efésios 2:8—9 – Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.
Consequentemente, nós devemos reexaminar as palavras de Tiago em seu contexto e descobrir se Tiago não quis dizer alguma outra coisa quando usou a expressão “justificada por obras”. De fato, uma leitura cuidadosa, irá nos mostrar que Tiago queria dizer que Abraão e Raabe provaram que sua fé era genuína, ao realizarem boas obras, um conceito que não contradiz os ensinamentos de Paulo.
F. Descubra a aplicação para a vida moderna – No início deste estudo, explicamos que um dos testes de canonicidade era que um livro bíblico precisava ser escrito para todas as gerações. A principio, o autor escreveu para um determinado público, mas se a mensagem é verdadeiramente palavra de Deus, terá aplicação para todas as gerações. A tarefa final do intérprete, depois de aplicar os princípios corretos da hermenêutica para determinar o que o texto significava para o seu público inicial, é de determinar o que o texto significa nos dias de hoje.
Para fazer isso, devemos compreender quais questões de nossa cultura moderna são paralelas às questões da passagem bíblica estudada. Então, até o ponto em que há paralelos, podemos aplicar o ensinamento da Bíblia para a nossa situação atual.
A Bíblia não é simplesmente um livro antigo com uma mensagem para pessoas da antiguidade. É a Palavra de Deus. Ela falou a Israel e nos fala nos dias de hoje. Nossa tarefa, como cristãos, é estudar essa mensagem, aplicá-la em nossas vidas e compartilhá-la com o mundo que precisa desesperadamente ouvi-la.
Apêndice A
Livros Fontes Mencionados nas Sagradas Escrituras
| Livro das Guerras do Senhor | Números 21:14 |
| Livro dos Justos | Josué 10:13 |
| Registros da História do Rei Davi | 1 Crônicas 27:24 |
| História dos Reis de Israel e de Judá | 2 Crônicas 27:7 |
| História dos Reis de Israel | 2 Crônicas 33:18 |
| História dos Reis | 2 Crônicas 24:27 |
| Crônicas de Samuel, o vidente | 1 Crônicas 29:29 |
| Crônicas do profeta Natã | 1 Crônicas 29:29 |
| Crônicas de Gade, o vidente | 1 Crônicas 29:29 |
| Livro da Profecia de Aías | 2 Crônicas 9:29 |
| Livro das Visões de Ido, o vidente | 2 Crônicas 9:29 |
| Livro da História de Semaías, o profeta | 2 Crônicas 12:15 |
| Livro das Crônicas de Jeú filho de Hanani | 2 Crônicas 20:34 |
| Livro da Visão do Profeta Isaías | 2 Crônicas 32:32 |
| Livro da História de Hozai (videntes) | 2 Crônicas 33:19 |
| Profecia de Enoque | Judas 14 |
Nota Editorial: O conteúdo deste estudo foi fundamentado e adaptado das obras listadas na bibliografia abaixo. Para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o Antigo Testamento, recomendamos a leitura integral das seguintes fontes:
Bibliografia
Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.
Confort, Philip Wesley (Editor). A Origem da Bíblia. Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 4ª Edição, 2003.
Champlin, R. N, editor. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Editora Hagnos, São Paulo, SP.
Francisco, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica – Introdução ao Texto Massorético. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, 1ª Edição, 2003.
Geisler, Norman e Nix, William. Introdução Bíblica – Como a Bíblia chegou até nós. Editora Vida, São Paulo, 2ª Impressão, 1977.
Walton, John H. Chronological Charts of The Old Testament. The Zondervan Corporation, Grand Rapids, 1978.
Würthwein, Ernst. The Text of the Old Testament. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Reprinted, 1992.
Enciclopédia: The New Encyclopaedia Britannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.
Enciclopédia: Antigo Testamento, Texto Protomassorético, Pentateuco Samaritano, Segundo Templo, Septuaginta, João 4:20, Jerusalém, Siquém. Monte Gerizim, Monte Sião, Hasmoneus, Destruição do Reino de Israel,
Notas
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Recensões: 1) Recenseamento e, 2) Cotejamento do texto de uma edição com o respectivo manuscrito. ↩︎
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A Septuaginta, comumente identificada pelo símbolo LXX, é a tradução das escrituras hebraicas para o grego realizada no Egito, sob o patrocínio do Ptolomeu II Filadelfo entre 285—246 a.C. ↩︎
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Johann Gensfleisch Zum Laden Zum Gutemberg, artesão alemão nascido no século XIV em Mainz na Alemanha, veio a falecer, provavelmente, em 3 de Fevereiro 1468 também em Mainz. Gutemberg foi o responsável pela invenção da imprensa moderna, mediante a utilização de tipos móveis esculpidos em madeira e revestidos de metal e tinta à base de óleo. Sua invenção foi única, e sua técnica não era conhecida nem na China, nem na Coréia do século XV. Até nos dias de hoje, podemos ver pequenas gráficas, usando a tecnologia inventada por Gutenberg. ↩︎
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Este projeto publicou, até o ano de 2003, somente os livros do profeta Isaías — entre 1975 e 1995 — e do profeta Jeremias — 1997. Nestas edições, em seus aparatos críticos, são citadas várias fontes judaicas antigas e medievais, bem como a LXX, os manuscritos do Mar Morto, outros manuscritos massoréticos, a literatura talmúdica e a literatura rabínica medieval. ↩︎
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Chamam-se de “Códice” os manuscritos antigos montados em forma de “livros” modernos utilizando “cadernos” de oito, dez ou doze folhas. A forma alternativa aos códices eram os rolos de papiro ou mesmo de pergaminho — couro de ovelhas, cabras, veados, etc ou vellum — couro de bois. ↩︎
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Moses Maimônides rabino judeu nascido em 30 de Março de 1135 a.D. em Córdoba na Espanha e falecido em 13 de Dezembro de 1204 no Egito. ↩︎
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Do hebraico tardio “sepharadh”, naturais de Sepharadh, provável região da Ásia Menor e que, posteriormente, os emigrantes asiáticos, identificaram com a Península Ibérica. Chamam-se de sefarditas os judeus descendentes dos primeiros israelitas de Portugal e da Espanha, expulsos, respectivamente, em 1496 e 1492. São também chamados de sefaraditas. Na sEspanha eram chamados de Marranos ou porcos. ↩︎
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Apócrifos/Deuterocanônicos: Livros que compõem o cânon católico e ortodoxo, mas que os judeus e o protestantismo não aceita como Escrituras Sagradas, tratando-os como acréscimos não inspirados. ↩︎
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O termo pseudoepígrafo refere-se a obras de autoria atribuída. Diferente dos apócrifos, estes livros nunca fizeram parte de nenhum cânon bíblico oficial e possuem caráter puramente lendário ou histórico. ↩︎
